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O Pai Quinzenal

O dia a dia de alguém armado em pai emprestado... semana sim, semana não.

O dia a dia de alguém armado em pai emprestado... semana sim, semana não.

20
Ago18

Todos nós aos tropeções e a andar para a frente


José Guimarães

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Existe uma tribo na África do Sul onde, quando alguém se comporta de forma inadequada, os membros da tribo levam essa pessoa ao centro da aldeia e, durante dois dias, todos a rodeiam. Durante esse tempo eles recordam à pessoa todas as coisas boas que ela já fez, dizendo "Sawabona" e "Shikoba". Quando dizem "Sawabona" significa: "respeitamos-te, valorizamos-te e tu és importante para nós". Quando a pessoa responde "Shikoba", quer dizer: "eu sou uma pessoa boa e eu existo para vocês". Esta ação de reconhecimento reconstrói o interior da pessoa que errou, fazendo com que ela se sinta querida e valorizada por todos.

 

Esta tribo acha que todos nós viemos ao mundo com bondade e que todos nós somos seres muito especiais, ainda que às vezes possamos não fazer as coisas da forma mais correta. Na ânsia de algum reconhecimento ou outra forma de valorização pessoal, as pessoas ocasionalmente falham no seu comportamento, erros que, muitas vezes, mais não são que pedidos de ajuda. E é aqui que a tribo se junta, para direcionar os que erraram, recordando-lhes quem são, lembrando-os de que podem dar novamente a mão à sua verdade, fazendo com que se sintam queridos e valorizados.

 

Sendo tanto céptico como optimista, parece-me que a comunicação emocional está cada vez mais doente na nossa sociedade. Mas por vezes temos exemplos à nossa volta - às vezes muito mais perto de pensamos - que nos arrancam sorrisos do coração. Actos simples e tão importantes, num meio tantas vezes perigoso, sem moral, motivação ou autoestima.

 

Talvez actos como o da tribo aumentassem a qualidade da nossa influência em quem nos rodeia. De vez em quando, todos nós sem excepção precisamos que o nosso próprio meio nos recorde que temos sempre a capacidade de alterar os nossos atos, de nos voltarmos a sintonizar e de nos surpreendermos (nós e aos outros), sentindo-nos então verdadeiramente especiais. E mesmo quando não agimos da forma mais adequada, que temos sempre o poder de mudar e começar de novo, corrigindo os nossos erros.

 

Obrigado miúda!

 

27
Jul18

Sobre eles a crescer


José Guimarães

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Há uns tempos escrevi um post sobre ti e sobre como tu ficas quando eles (o rapaz e a miúda) vão de férias. Agora escrevo outra vez sobre o mesmo. Não porque foram de férias, mas porque estão de férias. E porque aquele afastamento perfeitamente natural (principalmente no rapaz, legalmente já maior de idade) me traz tantas mas tantas memórias, sobre como eu era quando estava de férias. Era igual (pior?).

 

Chega-lhes cada vez com menos piedade aquela vontade de ser gente. De descobrir o Mundo. De dar cabeçadas e de aprender como é a vida, afinal. E sei que és mãe e que, se compreendes, também te custa. E como custa de repente passarem-se quinzenas (ou mais) sem aquele caos bonito de uma alegria, problemas e frenesim que enchem uma casa. Gostamos pouco do caos... mas aquele deixa-nos felizes.

 

Espero que eles saibam ver que, um dia, também foram como são hoje e que, os filhos deles, também mais tarde vão ser assim. Porque nós também passámos por esse caminho. Porque é preciso virar as costas a uns para se abrir o peito a outros. Mas porque, o Amor - esse - está lá sempre. Porque essa é a ordem natural das coisas, certo?

 

(Digam-me que sim)

14
Nov17

Casava contigo outra vez... e mais outra...


José Guimarães

casamento.jpg

 

Sabes que eu não ligo muito a estas coisas de datas. Conheces-me. Afinal de contas, eu sou o tipo que até já se esqueceu do aniversário da mãe(!)...

Mas hoje estou lamechas. Aliás, estou lamechas há já algum tempo. E vim aqui confessá-lo.

Quem vê a fotografia deste post, feita com o dedo sensível e o olhar atento de um dos amigos que nos enche a alma, percebe facilmente que tu choras, eu aguento-me, mas que são as nossas alminhas que ali estão. Abertas uma para a outra. E para as de quem nos rodeia.

Mesmo não ligando a estas coisas de datas, não posso deixar de me sentir feliz... espera... FELIZ, por há 4 meses me ter casado contigo. Aliás, casava contigo hoje outra vez. E a cada dia que passa, mais me apetece casar novamente contigo. E faria-o quantas vezes nos apetecesse.

E depois outra vez. E mais outra...

Só porque sim. Só porque me faz todo o sentido. Só porque te Amo!

Foto: Pau Storch

30
Jun17

Quando eles vão de férias


José Guimarães

Deixa de dizer o contrário do que os teus olhos falam.

Quer dizer, não deixes. Faz parte do teu encanto.

Quando eles vão de férias e se afastam, de costas, quase sem olhar para trás, porque para a frente é que é caminho, e tu ficas a olhar para eles, de olhos embaciados, o teu coração diz tudo.

És uma mãe bonita e ligada. É, sim, parte do teu encanto.

Eles vão, como se não houvesse amanhã, ás vezes nem ligam. Mas sabes que quando voltarem trazem-te no coração.

É isso que diziam ontem os teus olhos. Tu sabes isso tudo.
07
Jun16

O drama de ser padrasto


José Guimarães

keepcalmandloveyourstepdad_opaiquinzenal.png

 

Devo começar por dizer que o título não é meu. Fui descobrir um artigo no Expresso intitulado "O drama de ser padrasto". Nem concordo nem com o título, nem com frases como "os padrastos passaram a ter que competir com a imagem de um pai vivo". Nem percebo porque é que "os homens não falam destas coisas".

"Os homens não falam destas coisas"

Mas depois gosto dos depoimentos dos três homens que - afinal - até dão o seu testemunho, confessam os seus medos, relatam as suas conquistas.Eu vivo numa situação em que, tal como diz o Jorge, o quotidiano é feito de bom senso. E, tal como confessa o João, também eu tenho pena que a miúda e o rapaz não sejam meus filhos. E sim, também odeio a palavra padrasto. Não pretendo ocupar o lugar deixado pelo pai, deste lado do coração deles. Quero sim, como padrasto que sou, continuar a construir o meu próprio lugar nesta nova família.Ler artigo completo: O drama de ser padrasto

04
Jun16

Não gosto de padrastos


José Guimarães

Não me entendam mal. Não é que não goste de padrastos. Não gosto mesmo é da palavra em si.

Padrasto. Madrasta. Soa mal. Onde raio estavam com a cabeça quando quiseram inventar uma palavra que designasse um pai que não é pai, mas que atua como tal?

pa·dras·to substantivo masculino

1. Marido ou companheiro da mãe, ou do pai em casais do mesmo sexo, em relação aos filhos por eles tidos em relacionamento anterior.

2. [Depreciativo]  Pai que não cuida bem dos filhos."padrasto", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

Ora analisemos as possibilidades. Primeiro ponto: marido - concordo - ou companheiro da mãe - perfeito! Ou companheiro do pai, em casais do mesmo sexo. Isto em relação aos filhos que o outro tem de um relacionamento anterior. Mas, se repararem no ponto dois, também pode ter uma conotação negativa, quando em tom depreciativo também define um pai que não cuida bem dos filhos.

Vejamos a coisa na prática. Não soa bem. Não, não soa. Padrasto - e, já agora, madrasta - não são palavras felizes. Mas são só rótulos. E como tal, desmistifiquem-se. Porque padrasto é, mais do que tudo, alguém que, um dia, decidiu tomar como seus os Seres que não são seus. E assim ser pai. Como tal, ser padrasto é bom. É bom porque equilibra e recheia um lar de Amor que faz sentido.

Se gosto de ser padrasto? Gosto. Mesmo que a fonética me soe mal.

01
Jun16

Hoje é o dia!


José Guimarães

familia_opaiquinzenal.jpg

 

Não é só por ser dia da criança, mas até calha bem. Depois de tantos posts escritos sobre o que é ser pai sem o ser, decido trazer o blog O Pai Quinzenal à superfície. Logo hoje, no dia da criança. O tema não é novo. Ou, pelo menos, não o é na consciência de muitos. Entre outros tantos que se identificarão com as experiências que aqui venho partilhar, mas que talvez nunca tenham pensado nisto de uma forma tão consciente. Nisto das famílias recriadas. Reunidas a partir de alguém que se encontra e que nos re-encontra. E que nos ama. E que nos faz amar. Hoje, no dia da criança, trago-vos a minha experiência de ser pai, semana sim, semana não. Um pai que sabe que não é o pai, mas que sabe o que é ser família. Aos outros pais (e mães) por aí deixo o convite. Acompanhem este blog. Partilhem também as vossas experiências de serem pais sem o serem. Mas sentindo que o são. É isto.

22
Abr16

O Prince morreu, nós continuamos


José Guimarães

prince_opaiquinzenal.jpg

 

O Prince morreu. Isso já todos nós sabemos. E mesmo quem não saiba quem foi o Prince, esse pequeno grande monstro da música pop dos gloriosos anos 80, hoje é impossível escapar aos títulos que abrem as notícias um pouco por todos os canais.No entanto é importante saber que o Prince morreu porque - pelo menos aparentemente - abusou. Abusou da liberdade que pensava que tinha ou, pelo menos, daquela que o dinheiro lhe permitia comprar. A que lhe permitia romper com os limites de "Ser" humano. Ao que tudo indica, morreu de overdose.Nós, os mortais comuns, por cá continuamos. E ainda foram raros os título que hoje nos disseram como é importante cuidar do nosso "quintal", mantê-lo cheio de saúde, evitando deixar marcas negativas à nossa passagem, etc, etc, etc. Sim, hoje é o Dia da Terra. E vi mais gente a "chorar" a morte do Prince, do que a temer pelo nosso futuro e daqueles que se preparam para herdar tudo o que por cá deixarmos. Seja bom ou mau.Hoje, no Dia da Terra, não me importa muito que o rapaz e a miúda respondam "Quem é o Prince?", quando comentamos o acontecimento lá em casa. Importa-me mais que pensem duas vezes antes de deitar um papel ao chão, ou que prefiram ir a pé ou de bicicleta (e não de carro) passear comigo e com a mãe. Para que quando nós - os pais (quinzenais ou não) - já não estivermos por cá, eles possam gozar o mundo como certamente gostaríamos que eles gozassem. Food for thought...

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